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ARTUR FREITAS

ARTIGOS E CAPÍTULOS SELECIONADOS

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Do Corpo à Terra: exposição-limite

FREITAS, Artur. Do Corpo à Terra: exposição-limite. In: CAVALCANTI, Ana; COUTO, Maria de Fátima Morethy; MALTA, Marize; OLIVEIRA, Emerson Dionisio de (orgs). Histórias da arte em exposições: modos de ver e exibir no Brasil. Rio de Janeiro: Rio Books, 2016.

Do Corpo à Terra foi uma exposição que explorou os limites do ato expositivo, com propostas artísticas dispostas a problematizar tanto a ideologia do “cubo branco” quanto a concepção tradicional de obra de arte “autônoma”. Organizada na capital mineira pelo crítico de arte Frederico Morais em plena vigência do AI_5, em 1970, a exposição nasceu da confluência radical entre arte e política no Brasil, tendo marcado o ápice, mas também o ocaso do projeto de uma “vanguarda nacional”.

Memória e esquecimento: Adalice Araújo e a invenção da arte paranaense

FREITAS, Artur. Memória e esquecimento: Adalice Araújo e a invenção da arte paranaense. In: COSTA, Hilton; PEGORARO, Jonas; STANCZYK, Milton. (Org.). O Paraná pelo caminho: histórias, trajetórias e perspectivas. Vol. 1 - Imagens. Curitiba: Máquina de Escrever, 2017.

Adalice Araújo (1931-2012) foi a mais importante crítica e historiadora da arte do Paraná, e a maior conhecedora da arte paranaense. Ao longo de décadas, lançou inúmeros artistas, formou gerações de críticos, dirigiu museus, sacudiu a cena local. E lutou incessantemente, como pesquisadora e arquivista, pela preservação da arte do Estado. Foi uma luta pela memória. Uma luta, contudo, que logo revelou seu impasse: uma super-memória marcada, de um lado, pela obsessão pelo presente, e de outro, pelo furor de arquivo. Por muitos anos, Adalice dedicou-se a inventariar, narrar e defender cada átomo da arte paranaense. E sonhou com a publicação de uma obra definitiva sobre o tema. Veremos um pouco dessa história, que será também um pretexto para percorrermos uma trajetória de vida. Abrirei o texto com uma querela: é a ponta de um iceberg. Para ambientá-la, recuaremos em seguida aos anos de formação de Adalice. Depois conheceremos seu período mais ativo, quando dominou o campo crítico e historiográfico do Paraná. E finalizaremos – se é que isso é possível – com uma história sem fim.

Performance radical e literalidade: a homologia arte-vida

FREITAS, Artur. Performance radical e literalidade: a homologia arte-vida, Arte Teoria, Universidade de Lisboa, n. 21, 2018.

In the 1960s and 1970s, the “neo-avant-garde” concept is the sum of two complementary existence modes: “autonomy” and “literality”. This paper will examine only the mode of literality, with emphasis in its main expression, the “radical performance art”. In general, the “radical performance art” is one of the most extreme ways of the homology between art and life, which is featured by suffering bodies/selves and is situated between feminist performance art and disturbatory art. Initially, this paper will present the role of action painting in the post-war performance art. After that, it will examine the homology between art and life in the radical performance art scenario. This analysis will be done through some examples of feminist performance art and disturbatory art. At that point, the rhetoric of exaggeration will be understood as an important reaction to the crisis of the modern subject. At the end, this paper will analyze Marina Abramović’s performance and especially her “Rhythm 0” piece (1974). The analysis of this piece will indicate some possible boundaries of literalist art.

Arte conceitual e conceitualismo: uma síntese teórica

FREITAS, Artur. Arte conceitual e conceitualismo: uma síntese teórica. Concinnitas, UERJ, Rio de Janeiro, v. 18, 2011.

Partindo dos debates críticos e historiográficos acerca das noções de “arte conceitual” e “conceitualismo”, este artigo pretende traçar uma síntese teórica da posição conceitualista no contexto dos anos 1960 e 1970. Para tanto, além de um breve levantamento das noções envolvidas, serão analisadas algumas especificidades da concepção de “obra de arte” conceitualista, enfatizando seus principais modos de relação com o contexto institucional, social e político.

Excluídos da XV: ação "Grito Manifesto" (1984) do coletivo Sensibilizar

FREITAS, Artur; Excluídos da XV: vinte anos de regime militar ou a poética da pobreza. In: MENDONÇA, Joseli; SOUZA, Jhonatan. (Org.). Paraná insurgente: história e lutas sociais - séculos XVIII ao XXI. 1ed.São Leopoldo - RS: Casa Leiria, 2018.

Análise da relação entre arte e política na ação "Grito Manifesto" (1984, Curitiba) do coletivo Sensibilizar em parceria com os catadores de papel da Vila Pinto, em referência aos vinte de anos de golpe militar.

História e imagem artística: por uma abordagem tríplice

FREITAS, Artur. História e imagem artística: por uma abordagem tríplice. Estudos Historicos, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, n. 34, 2004.

Este artigo pretende propor um conjunto de princípios metodológicos básicos ao uso historiográfico da imagem artística como documento, com ênfase no axioma de que as fontes visuais, sobretudo as de arte, têm três grandes dimensões históricas de análise: a formal, a semântica e a social. Recorrendo à contraposição temática das principais metodologias disponíveis, o artigo exemplifica, sempre que possível, suas maiores incoerências ou virtudes, para daí deduzir uma série bastante aberta de propostas metodológicas. A conclusão, por fim, é de que se deve privilegiar justamente a interação entre as dimensões da imagem, escapando tanto das opções deterministas quanto das vertentes ontológicas do formalismo.

Raiva, ironia, alegria: modos de resistência na arte brasileira dos anos 1970

FREITAS, Artur. Raiva, ironia, alegria: modos de resistência na arte brasileira dos anos 1970. Visualidades, UFG, Goiânia, v. 17, 2019.

Este artigo investiga a relação entre arte de vanguarda e resistência cultural durante os anos 1970 no Brasil. Com a vigência do Ato Institucional Número 5 (AI-5), a generalização da cen-sura, a institucionalização da repressão e os efeitos sociais do dito "milagre brasileiro", a pro-dução artística assumiu muitas vezes uma retórica crítica, ainda que eventualmente alegórica, em relação ao contexto autoritário. Mediante esse contexto, defende-se aqui que parte consi-derável da arte brasileira dos anos 1970 reagiu às pressões de seu entorno por meio de três mo-dos elementares de resistência: a "fúria significante", a "forma-festa" e a "contracomunicação", cada qual relacionado a três emoções básicas: a raiva, a alegria e a ironia.

A literalidade e os modos do moderno

FREITAS, Artur. A literalidade e os modos do moderno do início do século XX. ArtCultura, UFU, Uberlândia, v. 17, 2015.

O que chamamos de arte moderna é, entre outras coisas, a soma de dois modos complementares de existência, aqui nomeados de “autonomia” e “literalidade”. Para os limites deste artigo, será realizada uma análise exclusiva do viés literalista, com ênfase no mapeamento teórico e historiográfico dos diversos caminhos da literalidade da arte nas primeiras décadas do século XX. Para tanto, o texto inicia com uma apresentação sumária dos fundamentos estético-ideológicos do modernismo artístico, para em seguida analisar alguns casos exemplares que permitam compreender os principais vetores da literalidade, a saber: a montagem e o ready-made.

Opacidade e transparência em Antonio Arney

FREITAS, Artur. Opacidade e transparência em Antonio Arney. In: MORAES, Giselle de (Org.). Comparação de Valores: Antonio Arney. São Paulo: Intermeios, 2019.

À primeira vista, as obras de Antonio Arney consistem na tensão deliberada entre a mentalidade projetual, de vocação construtiva, rigorosa, e a paixão incorrigível pela matéria bruta e deteriorada. Nesse registro, vemos que a estrutura planejada e invariavelmente cuidadosa de suas obras, baseada no arranjo de áreas geométricas simples, não oblitera, todavia, a atenção concedida à memória dos objetos. Entretanto, a tensão entre geometria e matéria é somente o sintoma mais evidente de uma questão primeira, de ordem geral, a qual eu gostaria de comentar. Em linhas gerais, a poética de Arney guarda em seu núcleo um determinado regime de visibilidade que consiste na relação deliberada entre transparência e opacidade. Central na história da pintura, tal regime, como se verá, pressupõe a interação, por vezes conflituosa, entre dois modelos ou teorias do visível.

Autonomia social da arte no caso brasileiro

FREITAS, Artur. A autonomia social da arte no caso brasileiro: os limites históricos de um conceito. ArtCultura, UFU, Uberlândia, v. 07, n. 11, 2005.

O historiador da arte Charles Harrison afirma que a noção de “autonomia”, quando pensada no universo da arte, possui três significados complementares mas ainda assim distintos: autonomia como juízo estético, como linguagem artística ou como condição social de produção. Em linhas gerais, quando a teoria social toma a arte como objeto de estudo, é o terceiro significado de autonomia que entra em jogo, significado este que aqui se denominará por autonomia social. Essa modalidade de autonomia, ainda que relativa, é convencionalmente descrita pela literatura pertinente como uma propriedade estrutural dos espaços sócio-institucionais da arte moderna ocidental – os chamados “campos” ou “mundos” da arte. Partindo dessa aceitação mais ou menos generalizada, este artigo pretende testar a validade e o alcance da noção de autonomia social da arte quando aplicada ao “caso brasileiro”, ou seja, em função de alguns exemplos históricos específicos da história da arte moderna e contemporânea no Brasil.

Obra expandida: as vanguardas e o regime alográfico

FREITAS, Artur. Obra expandida: as vanguardas e o regime alográfico. Ars, USP, São Paulo, v. 11, 2013.

Este texto é um ensaio de interpretação a respeito do caráter “múltiplo” e “projetual” de determinadas obras de vanguarda a partir da “teoria dos regimes de imanência” de Nelson Goodman e Gérard Genette. Por hipótese, suporemos que a aceitação do chamado “regime alográfico” no âmbito das artes visuais tenha sido responsável, no contexto histórico das vanguardas, pelo surgimento de obras de arte “projetuais”.

O tempo como profanação: "Situações Mínimas" de Artur Barrio

FREITAS, Artur. O tempo como profanação: Situações Mínimas de Artur Barrio. História Questões e Debates, UFPR, Curitiba, n. 61, 2014.

Partindo da relação conflituosa entre a temporalidade das artes performáticas e a espacialidade dos museus de arte, este artigo analisa o caráter ritualístico da obra Situações Mínimas, realizada por Artur Barrio, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná, em 1972, em Curitiba, no contexto dos Encontros de Arte Moderna.

O sensível partilhado: estética e política em Jacques Rancière

FREITAS, Artur. O sensível partilhado: estética e política em Jacques Rancière. História. Questões e Debates, UFPR, Curitiba, n. 42, 2006.

Resenha de: RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa Netto. São Paulo: EXO Experimental / Editora 34, 2005.

Notas sobre o amor: Pedro Escosteguy em Curitiba

FREITAS, Artur. Notas sobre o amor: Pedro Escosteguy em Curitiba. Modos: Revista de História da Arte, Unicamp, n. 1, 2017.

Este artigo aborda a passagem de Pedro Escosteguy por Curitiba em 1972, quando o artista, participando do IV Encontro de Arte Moderna, apresentou obras de sua autoria realizadas entre 1967 e 1972. O objetivo central consiste em compreender algumas das alterações no imaginário da arte de vanguarda mobilizadas pela promulgação do AI-5, de dezembro de 1968, evento que institucionalizou a repressão autoritária durante o regime militar. Para tanto, serão analisadas as seguintes obras de Escosteguy apresentadas em Curitiba: o filme Arte pública, a performação da obra Juillet-14 (Liberté) e a instalação pública dos objetos participativos Ar (Arma) e Do amo ao amor.

Arte moderna: notas sobre a autonomia

FREITAS, Artur. Arte moderna: notas sobre a autonomia. In: FREITAS, Artur; KAMINSKI, Rosane. (Orgs.). História e arte: encontros disciplinares. São Paulo: Intermeios, 2013.

Os discursos críticos sobre o conceito de arte moderna tendem a sustentar-se na co-presença de ao menos duas grandes formas temporais. De um lado, a literalidade, baseada no ímpeto vanguardista de imersão da arte nos aspectos “literais” da vida social. E de outro, a autonomia, baseada na ideia de que a experiência artística deve correr em paralelo às degradações sociais da cultura de massa e do mundo da mercadoria. Dedicando-se à análise exclusiva do viés autonomista, o autor realiza um mapeamento teórico e historiográfico dos diversos caminhos da autonomia da arte entre fins do século XIX e início do XX, passando pelos dois principais vetores da autonomia: a autonomia narrativa e a autonomia formal.

A natureza dispersa: Miguel Bakun

FREITAS, Artur. A natureza dispersa: Miguel Bakun. Porto Arte: Revista de Artes Visuais, v. 18, n. 31, p. 87-104, 2013.

Realizada nos anos 1940 e 1950 e ainda hoje pouco conhecida pela historiografia da arte no Brasil, a obra do pintor paranaense Miguel Bakun pode ser vista, entre outras coisas, como uma forma legítima – porque poética – de problematização da dicotomia entre “acadêmicos” e “modernos” no contexto brasileiro. Ora adotada pelas forças “modernistas” de Curitiba, ora premiada nos salões “acadêmicos” da época, a produção paisagística de Bakun representa uma fratura no “entendimento” de arte que então circulava a sua volta – o que é certamente interessante para uma compreensão ampliada da arte brasileira da primeira metade do século XX.

Gravura expandida: as Mostras da Gravura nos anos 1990

FREITAS, Artur. Gravura expandida: as Mostras da Gravura dos anos 1990. Visualidades, UFG, Goiânia, n. 8, 2012.

Enquanto existiu, de 1978 a 2000, a Mostra da Gravura de Curitiba foi, no campo da arte, um dos principais eventos periódicos do país. Responsável por atrair gravadores de todos os estados, a Mostra chegou a atingir uma escala internacional durante a década de 1990. Idealizada com o objetivo manifesto de defender a autonomia técnica da chamada “gravura original”, a exposição precisou, contudo, reavaliar seus pressupostos conceituais ao longo dos anos 1990, o que afinal resultou tanto na expansão do conceito de “gravura”, quanto no fim das próprias Mostras. Buscando evidenciar as principais transformações ocorridas nesse processo histórico, este artigo analisa alguns documentos
pontuais, confrontando-os com breves descrições das Mostras ocorridas nos anos 1990.

A consolidação do moderno na história da arte do Paraná

FREITAS, Artur. A consolidação do moderno na história da arte no Paraná. Revista de História Regional, UEPG, Ponta Grossa, v. 8, n. 2, 2003.

O processo de infiltração, embate e consolidação da cultura moderna no meio artístico paranaense foi lento e conflituoso. Desde pelo menos fins dos anos 1940, com a revista de literatura e arte Joaquim (1946-48), o Paraná se abre ao imaginário da arte moderna. Ao longo dos anos 1950, com a formação de alguns cenáculos menos conformados à mentalidade acadêmica do Salão Paranaense e da Escola de Música e Belas Artes, surgem as primeiras manifestações artísticas locais abertas a uma certa noção de modernidade, muito mais próxima, no entanto, da poética dos Clubes de Gravura gaúchos do que do ideário concretista que circulava no Rio ou em São Paulo. A partir do início dos anos 1960, com uma política cultural centrada na "atualização" da arte local, a abstração lírica e informal passa a dominar os meios institucionais da arte do Paraná, com destaque para o Salão Paranaense. O abstracionismo, assim, ganhará no Paraná um contorno quase hegemônico, sugerindo um ar progressista a uma política cultural que se adaptava às idéias de modernidade de uma conjuntura de industrialização acelerada.

Corpo em festa: Frederico Morais e o Sábado da Criação

FREITAS, Artur. Corpo em festa: Frederico Morais e o Sábado da Criação. Revista VIS, UnB, Brasília, v. 13, n. 1, 2014.

Partindo da relação entre vanguarda e contracultura, este artigo analisa o uso do corpo e o caráter festivo presentes no happening intitulado Sábado da Criação, proposto pelo crítico de arte Frederico Morais, em 1971, em Curitiba, no contexto dos Encontros de Arte Moderna.

A invenção do Solar do Barão: a gravura brasileira em Curitiba

FREITAS, Artur. A invenção do Solar do Barão: a gravura brasileira em Curitiba. Clio, UFPE, v. 31.2, 2013.

Este artigo tem por objetivo mapear as principais convergências estéticas e políticas responsáveis, entre fins dos anos 1970 e início dos 1980, pela criação do Centro Cultural Solar do Barão, em Curitiba, no Paraná. Sede do Museu da Gravura, dos atuantes ateliês da Fundação Cultural de Curitiba e das extintas Mostras da Gravura, o Solar do Barão não apenas centralizou por décadas o ensino, a preservação e a difusão da gravura no Paraná, como não tardou a ser visto, nas décadas seguintes, como um dos principais pólos nacionais de institucionalização da gravura no Brasil.

Arte e movimento estudantil: análise de uma obra de Antonio Manuel

FREITAS, Artur. Arte e movimento estudantil: análise de uma obra de Antonio Manuel. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 25, n. 49, 2005.

Podem as manifestações visuais, e no limite a própria visualidade, participar crítica e reflexivamente dos grandes debates do espaço público? Em linhas gerais, é justamente a crença nesse poder de intervenção crítica que manteve acesa, no caso das artes plásticas, uma intensa atividade pública, contestatória e coletiva das vanguardas brasileiras durante o regime militar, sobretudo em seus primeiros anos de vigência. E é a partir desse contexto histórico que este artigo pretende analisar algumas implicações estéticas e ideológicas presentes na obra Movimento estudantil 68, serigrafia de Antonio Manuel premiada no Salão Paranaense de 1968. Produzida em plena efervescência política do movimento estudantil, mas exibida ao público nos primeiros dias de vigência do Ato Institucional nº 5, Movimento estudantil 68 será aqui entendida como uma trama discursiva em que se cruzam história e visualidade.

Metáfora dos tempos: pintura e violência a partir de uma obra de Carlos Zílio

FREITAS, Artur. Metáfora dos tempos: pintura e violência a partir de uma obra de Carlos Zílio. Revista Científica de Artes/FAP, v. 2, 2007.

Ao entender, em 1967, a contestação artística frente ao regime militar como um gesto político ineficaz, o artista Carlos Zílio abandona momentaneamente sua produção artística em favor da militância. Em 1970, atuando pelo grupo armado Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), Zílio é baleado e preso pelos militares. Na saída da prisão, depois de mais de dois anos nos quartéis do exército, o artista, nas suas palavras, é “abruptamente jogado no milagre brasileiro”, onde percebe que os ideais políticos e estéticos de sua geração precisam ser revistos. A obra Ferro fere, de Carlos Zílio, premiada no Salão Paranaense de 1973, ao guardar as marcas estéticas e históricas desse novo momento, servirá aqui à interpretação não apenas de um caso limite, que é o de Zílio, mas de uma reconfiguração simbólica maior, necessária à compreensão do período.